9.12.2006

Angra

Foto: Busca de imagens do Google

Somente após muito tempo
perdido na enseada da alma
pude perder o estranhamento
que minha imagem me causava.


Meu corpo contra o vento,
meu reflexo na água,
eu sentia o arder do fogo
quando a terra me chamava.


Em diversas vezes fui chamado
ao encontro do sangue na terra
e vendo os corpos putrefactos,
para cada um acendi uma vela.


Velas, à cada morto um pecado
e para cada uma que acendia
mais sangue via derramado.


Libada com pecados, a terra
se tornava baça e escurecida
em uma existência sem juízos.


Fruto da ausência de abrigos,
despojado do ego e do medo,
me perco na enseada da alma.