9.27.2007
9.20.2007
9.20.2006
Entrada Franca
Ilustração: busca de imagens do Google. Dessa graça que vos concedo,
vou depois as desgraças cobrar,
destarte coleciono tragédias
escritas com sangue e com medo.
Mas não termine essa desdita,
assim com esse gosto amargo,
com amor me chamam de vida
de todos sou o maior espetáculo.
Nesse imenso palco do mundo,
vivendo em meio à cenografia
meu caro ator, sê sensato:
Viva cada ato desta tua sina
e lembre-se quando sentir dor,
de agradecer a graça concedida.
9.12.2006
Angra
Foto: Busca de imagens do GoogleSomente após muito tempo
perdido na enseada da alma
pude perder o estranhamento
que minha imagem me causava.
Meu corpo contra o vento,
meu reflexo na água,
eu sentia o arder do fogo
quando a terra me chamava.
Em diversas vezes fui chamado
ao encontro do sangue na terra
e vendo os corpos putrefactos,
para cada um acendi uma vela.
Velas, à cada morto um pecado
e para cada uma que acendia
mais sangue via derramado.
Libada com pecados, a terra
se tornava baça e escurecida
em uma existência sem juízos.
Fruto da ausência de abrigos,
despojado do ego e do medo,
me perco na enseada da alma.
9.01.2006
8.19.2006
Encontracepção
Arte: http://outhousestudios.net/Destruíram os sacros altares
abrigo dos santos de outrora
e a insuspeita carola chorosa
reclama da falta de milagres
Então o supremo bispo conclama:
- Tirem a camisinha!
Não é que a ex-chorona
agora ri sozinha?
Cristo tem razão.
Baco também tinha...
7.21.2006
Relaxe
Ilustração : www.wkozak.comPor que me olhas tanto meu velho?
Não se apresse ao ocaso
Nem visite cemitérios
Deixe de lado o mistério dos vivos
Que levam a morte muito a sério
E veja como tudo se acerta
Ainda que nem tudo esteja certo.
Entendo perfeitamente seu medo
Todos têm essa estranha mania,
Pedem que eu meça a vida que passa
Obsidiando minha opulência perene
De demônio domesticado.
7.06.2006
humpf...
Imagem: Photoshop 8.0 CSTudo! Tudo! eu perdi tudo!
não pensei direito ao agir,
não agi certo ao sentir,
não lembro onde deixei,
não deixo de lembrar,
não controlo, o meu terror
não é outro senão nenhum
não que não o faça, sentido
não é nada, coisa alguma
não é complexa, é simples,
não mas agora, é sim...
não sei,
não salvei.
E isso é tudo!
7.03.2006
6.01.2006
Justiça aos Homens
Imagem: Busca de imagens do GoogleOs homens de pretensa nobreza concebem
Uma esperança sedenta de sangue e vingança
Como num desespero que a alma infantil inflama
a dizer com vozes das vítimas aos algozes
de algo que mancha e suja a senhora Justiça
Não seria o justo esse nobre insulto se fazer
ante a senhora que inspira o dever e o devido
atender aos designios de um pedido extorsivo
Pois é o que fazem os que dela se arrogam,
puxando seus braços e rasgando seu colo a têm,
com um arroubo infame e numa paixão corrupta
corroem um ventre puro com vis maledicências.
E esta, usada, passa a gestar um feto podre
abominável é o fruto celebrado pelos homens.
5.24.2006
Num castelo de areia
Sem futuro não existo, não há projeto,
não há possível sem futuro.
E se posível fosse um futuro, o que teria?
O que seria disso tudo? um futuro tangível?
de um sonhar despertado, por muito imaginado. . .
Taí tudo o que posso, nesse imaginar do nada:
Vagar no eterno presente, num castelo de areia.
5.19.2006
Schimären na nuit
Foto: Sebastião SalgadoNa noite fria do tempo,
estamos andando a esmo.
Sem nunca entender direito
se o vento vai ou se vem,
deixando-nos como reféns
dessas ilusões verdadeiras
que chamamos de realidade.
* * *
A realidade, quimera do tempo,
não depende do soprar do vento
vai alimentando uma memória
que garante sustento à sanidade.
5.17.2006
Império do Ocidente
Ilustração: Pesquisa de imagens do GoogleO mal que domina o mundo
é um apogeu que não vem.
Perdeu-se desta bolota de lama
há uns dois mil e poucos anos.
Ótimos tempos àquela era,
também existiam as guerras,
grandes festas eram matanças
com divertidos gládios rubros.
Onde o ocidente foi gerado
por bárbaros excitados
num intenso "reality show"
de sangue e putaria.
Mais ou menos como hoje
porém sem essa hipocrisia
O que veio antes foi elegia.
Todo o depois é decadente.
5.12.2006
No Abismo
pé ante pé, eis que a vida me leva
a este precipício diante dos pés
meus pés, meu precipício.
Se pulo é sacrifício;
Se contemplo é vazio;
Se engulo o desespero, o abismo sou eu.
a este precipício diante dos pés
meus pés, meu precipício.
Se pulo é sacrifício;
Se contemplo é vazio;
Se engulo o desespero, o abismo sou eu.




